E estes modelos variam num espectro que vai desde os mais estatizantes aos
mais liberais. Nos países da U E os sistemas de saúde são na sua maioria,
mistos, com componentes públicas e privadas, que funcionam em regime
de concorrência, refere o autor na introdução.
Portugal destaca-se por manter um sistema de saúde de tipo soviético, com
um monopólio de Estado designado por Serviço Nacional de Saúde. Ora,
os monopólios de Estado são aqueles que se prestam a mais abusos e corrupção.
“ E, se dúvidas houvesse, aí está o Serviço Nacional de Saúde para
o provar.”
Segundo o autor, a carência da oferta, as listas de espera, a má qualidade
dos serviços e do atendimento são fenómenos inerentes às organizações
colectivistas. Não têm solução se o monstro não for liquidado. “E a tragédia
que condiciona estes fenómenos tem um nome. Na sua versão “ hardcore”,
chama-se comunismo e na versão “softcore”, socialismo. E vai mais longe.
Os “técnicos de saúde” que defendem a continuidade do sistema constroem argumentos retóricos que se destinam apenas a perpetuar uma estrutura de poder. “Poder que partilham ou ao qual aspiram”.
Face a este cenário, Joaquim Sá Couto chama a atenção para a necessidade de repor o debate sobre a reforma do sistema de saúde, mas no plano político. Os partidos devem apresentar soluções próprias que reflictam
opções ideológicas.
O autor, Joaquim Sá Couto, nasceu no Porto em 1951. Frequentou a Universidade de Lisboa e completou a licenciatura em Medicina em 1977. Em 1982 iniciou a especialidade de Cirurgia Geral, em Nova Iorque, E.U.A., no Brooklin Jewish Hospital, tendo obtido o título de” Diplomate of the American Board of Surgery” em 1987.